A mentira é uma arte de profissionais duvidosos altamente gabaritados cênica e cinicamente. Sempre sou descoberto.
Eu não sei viver:
por que não sei nem saberia o que fazer com uma vida perfeita.
Eu não sei amar:
Se não for pra viver por alguém, pra matar por alguém ou ainda pra morrer por alguém, ninguém tem tanta importância assim.
Eu não sei orar:
Eu tenho de cuspir blasfêmias contra meus inimigos, tenho que rastejar humilhado, tenho de chorar descontroladamente em nome da fé, senão, de que adianta tê-la?
Quero te cobrir dos melhores adjetivos, tocar teu ser substantivado feminino, próprio e sobrecomum, te conduzir pelas circunstâncias de verbos de alta transitividade, ignorando a indefinição de seus artigos quero ter o prazer de explorar sua evasividade, provocar suas exclamações responder suas interrogações e te levar de quebra às interjeições mais sacanas, ambíguas, elípticas acentuadas como as proparóxitonas quero estar com você pleonásticamente, mas sem viciosidade quero gozar de teus atributos, de tua sintaxe, tua morfologia passear meus dedos em tua textualidade e te fazer perder a estrutura.
Neste dia dos namorados o que as pessoas procuram encontrar? Acredito eu que as garotas, o cara certo, alguém para casar, que alimente suas fantasias, chegue em casa fazendo carinho, pague as contas do cartão de crédito, que seja um bom amante ao estilo latino, que saiba fazer poesia e massagear os pés, que faça gracejos, e, de vez em quando, chegue com um mimo... que nunca faça cara de aborrecido, e, de preferência, concorde com tudo, e, que depois de tudo, aceite todas as conseqüências (adoro o trema, achei uma tremenda injustiça o seu banimento) com um sorriso largo e um astral sempre otimista.
Acho que jamais agradarei estas senhoritas. Talvez ninguém as agrade.
Acredito que os rapazes pensam naquela jovem que um misto de mulher e deusa pagã: divina e terrena, humana e onírica... mais divina que terrena, mais onírica que humana, mais amante que virtuosa, mais bonita que inteligente, mais sapeca que prudente, pensam no xanadu, no shagri-lá, na aurora e no apogeu, depois em mais nada, num cigarro, talvez...
Senhores, lamento informar, mas esta pessoa acima descrita não existe, e, se existe, não é real.
Delicia-me o fato de saber que o mundo não é regido por estes desejos fúteis, das senhoritas ou dos rapazes. A realidade é que temos o que escolhemos, e, se nos escolhem, aceitam todo um pacote. Vejo em meu dia a dia várias pessoas marcadas por escolhas erradas e/ou desmerencendo o fato de terem sido escolhidas (algumas muito mal escolhidas). Viva bem com alguém, se não dá procure outro, mas desocupe a vaga antes, não empate as pessoas pois a vida é curta. Esqueça essa de ciúme doentio, isso não faz bem pra ninguém. Viva e deixe viver.
Sobre o dia dos namorados: isso é só uma besteira que o comércio inventou pra tirar dinheiro da gente, se você passa o ano sem valorizar seu parceiro(a), massagear seu ego por um dia não vai torná-lo(a) melhor.
As andanças a que me vejo confinado me deixam sem vontade de voltar atrás, tudo pra não ter de explicar porque estou chegando tarde, ou porque fui embora. Não desejo explicar por que estou triste, passei boa parte da vida assim, e ninguém percebeu, quando quis falar ninguém quis ouvir, por isso não há mais nada a dizer. É melhor então seguir em frente, encontrar novos amores, encher a cara, trepar feito louco e ficar deprimido no dia seguinte, aí é só encher a cara de novo, achar novos amores, trepar feito louco e torçer pra não ficar deprimido de novo...
Devido ao fato de estar há mais de um mês sem internet, e sem sequer uma previsão de quando terei uma conexão própria e constante com a mesma, aviso que, infelizmente, a periodicidade d posts será altamente prejudicada. Aos que de, uma forma ou de outra, são leitores deste blog, aviso que tão logo possível haverá novos posts.
Ao cair em mim já não era mais eu, já não vivia mais... era um ser jogado na eternidade, pleiteando um encontro com Deus ou com o Diabo, embora ambos parecessem ocupados demais para mais uma alma que esperava descobrir o sentido da morte.
Nada mais o que fazer, ou o que pensar, resolvi Caronte encarar: "Ó porteiro destes infernos, atendei este errante que veio - para variar - errar em vossos umbrais, mas desde já vou avisando: meu coração perdido não pertence a este lugar!" ... "Ora, se não é o náufrago errante neste limbo! que queres tu alma errante, vieste conhecer teu destino e enfim padecer em teu inferno?"
"Ó condutor das almas, leva-me a meu destino, pois que o pós morte já me deprime."
"Sobe pois na barcaça dos destinos pois que em teu distinto destino ela te conduzirá..."
Subindo a barcaça das almas, deparei-me com os diversos infernos... o de Dante estava um tanto caído e tinha um enorme banner onde estava escrito: "Dante's inferno is coming - more information http://dantesinferno.hot" (Imaginei que a crise de credibilidade que abala o mundo pode ser maior do que diziam...)
Espantei-me ao perceber que a barca tomava uma direção oposta à dos condenados, parando em um tosco prédio acizentado. Uma placa decadente, porém respeitável diziam "Inferno - 666ª Sucursal". Nesse instante acabou o momento poético. Ao entrar na recepção estva um verdadeiro pandemônio: Uns berrando no guichê que o castigo que estavam recebendo era pouco e não fazia juz à sua reputação em vida, algumas mulheres reclamavam o fato de uma companheira de barraco não estar lá, o que era uma "injustiça sem tamanho", vi até um certo político tentando advogar que tinha imunidade parlamentar, por isso sua condenação era injusta. O fato é que depois de muito esperar, O sr. Desmundo, que parecia ser meio que o chefe daquela balbúrdia me disse que era completamente impossível alocar um maldito ateu no inferno, eu é que fosse procurar o céu pra ver no que dava... eu fiquei triste quando o Caronte me mostrou a escada...
Belém, um dia qualquer que eu quero mais é esquecer.
Olá (preencha como o nome que lhe aprouver),
O motivo desta missiva é evitar um provável crime passional (o de voltar pra você, por exemplo). Bem, depois de tanto tempo e tanta coisa que eu tinha presa em minha garganta pra dizer pessoalmente, sinto que as palavras me trairiam se eu estivesse diante de você, por isso preferi este veículo impessoal.
Escrevo pra dividir com você, embora minha vontade seja de subtrair toda a atenção e fidelidade dedicadas, desejo dividir com você a vergonha que sei que você não sente, a dor que eu sei que não te alcançou, bem como meu desprezo, que a essa altura já deve estar te abrasando.
Não lamento o fato de você ter saído de minha vida, você me fez um favor, agora eu sei. Lamento você ter levado com você um pedaço do meu eu (além das milhas do meu Smiles), lamento, ter descoberto tão tarde que me regeneraria, pois teria lhe dado a atenção que você realmente merecia: nenhuma. Principalmente em todas as vezes que você fez que foi, e depois fez que voltou. Te perder uma vez foi cruel, mas pensar que a(o) tinha de volta, pra depois perdê-la(o) de novo, de novo, e de novo foi um ato de tamanha barbárie, que já era tarde quando percebi os reais estragos que você causou em meu ser.
A você eu devo a morte de meu romantismo, da minha fé no ser humano e do meu desejo de aproximação, mas também devo a você o aprendizado de uma importante lição: não me magôo mais com as pessoas, porque não consigo esperar mais nada delas. Graças a você eu não choro mais, nem de alegria, nem de tristeza, e a solidão, que antes eu tinha por inimiga, tornou-se uma parceira quase constante.
Risquei da minha vida tudo o que você deixou: as fotos de nós dois, mal tiradas por você de propósito, seu cheiro que ainda impregnava alguns lençóis de cama, a sífilis que você disse ter pego em um banheiro público, as contas de motel em meu cartão de crédito, que ironicamente não foram desfrutadas comigo e etc. melhor parar por aqui...
Quero que você saiba que a parte de mim que quer que você seja feliz achou importante que você soubesse como eu me sinto pra que você possa repensar seus caminhos; a parte de mim que quer que você se dane escolheu o que dizer na carta, e a parte de mim que não está nem aí pra você te absolve da necessidade, ou mesmo da possibilidade de você responder.