Os protocolos de atendimento de empresas de celular (embora você saiba que cedo ou tarde pode precisar deles);
Pessoas ridículas (é sempre mais proveitoso ignorá-las que confrontá-las, mas use este conselho por conta e risco);
Situações ridículas (desde que o ridículo da situação não esteja centralizado em você mesmo, claro);
Problemas impossíveis de resolver (desde que sejam possíveis de ignorar);
Água de salsicha (desde que você não tenha o mal costume de bebê-la);
As músicas do Djavan (a não ser que você se ache capaz de compreendê-las)
Os conselhos de Caetano (eles quase sempre foram criados para esse fim)
As metáforas do Lula (dispensam ressalvas);
A ausência de dinheiro em sua carteira (afinal, essa é a condição normal da carteira em questão);
Os tapetes puxados no trabalho (sempre tem um fdp pra fazer isso por você);
Hakuna Matata
terça-feira, 22 de setembro de 2009
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Desgosto
Queria sentir mais.
Nada consigo.
não há emoção,
não há dor,
não há medo.
se pudesse choraria,
mas não vejo justiça em derramar lágrimas.
Cansei de paredes e relógios,
dessas máquinas inventadas pra não nos deixar ser felizes,
cansei de "meu" de "seu" de "dele" e "dela".
Não estou num dia bom para possessivos.
Sinto uma necessidade de indefinidos:
preciso de "algum" e "alguma", "que"
preciso de "alguem" ou de "algumas"...
algo para sair deste vicioso pleonasmo
a que me vejo reduzido e oclusivo,
cansado do tratamento ambigüo a que sou submetido.
quanto mais caminho atrás de meus objetivos,
mais eles parecem caminhar adiante.
sinto-me ultrajado,
como quem volta pra casa após ter feito um péssimo negócio.
Nada consigo.
não há emoção,
não há dor,
não há medo.
se pudesse choraria,
mas não vejo justiça em derramar lágrimas.
Cansei de paredes e relógios,
dessas máquinas inventadas pra não nos deixar ser felizes,
cansei de "meu" de "seu" de "dele" e "dela".
Não estou num dia bom para possessivos.
Sinto uma necessidade de indefinidos:
preciso de "algum" e "alguma", "que"
preciso de "alguem" ou de "algumas"...
algo para sair deste vicioso pleonasmo
a que me vejo reduzido e oclusivo,
cansado do tratamento ambigüo a que sou submetido.
quanto mais caminho atrás de meus objetivos,
mais eles parecem caminhar adiante.
sinto-me ultrajado,
como quem volta pra casa após ter feito um péssimo negócio.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Ode à Fermina Daza
Ó Fermina minha, perdoa, mas sou fraco... devia ter lutado contra o mundo de dificuldades que entre nós se erguia.... mas eu me dobrei às tribulações. E agora que te vejo partir, ó Fermina minha, eu morro por dentro, por que não posso te culpar por agires com bom senso... Eu que te amo ó Fermina, não consigo enxergar em ti defeito enquanto caminhas sobre meu sofrido coração. Apesar de ser homem pra chorar tua partida, não sou capaz de ter por errada por ires de mim, não sou homem pra te pedir pra voltar. Teu sorriso radiante me diz que estás feliz. Arde em meu peito a dor de não ser o autor de teu sorriso... ah, Fermina, que pobre diabo sou, que não sou capaz de dizer que sou melhor para ti, pois talvez nem o seja. Eu me afogo em álcool e lágrimas, como inútil que sou. Enquanto partes radiante, eu fico desolado. Enquanto te vais, eu penso em me destruir, penso nos beijos que jamais serão dados, na vida que jamais será vivida. Eu quero a morte, mas ela me ignora... a vida que me interessa é a teu lado, mas estás a partir, e minha vida vai junto. Ele nem te merece, Fermina. É apenas um homem na hora certa e no lugar certo. Apenas um cara, que não daria por ti a metade do que estou disposto a oferecer... Eu falhei, Fermina, e agora te deixo partir, mas correria meio mundo se soubesse que precisavas de mim, mas sei que jamais me deixarás saber... Eu continuarei aqui Fermina, e não medirei esforços por ti, meu amor, minha vida e meu único bem.
(Eu que nunca fui dado a romances na vida, vi-me arrebatado por Amor nos Tempos do Cólera de Gabriel Garcia Marquez. Foi o primeiro romance que li em angústia e certo frenesi, sentindo-me como um velho conhecido de seus personagens, sofrendo a cada reviravolta, alegrando-me com cada pequeno triunfo. Escrevi esta carta pensando em todas as palavras que Florentino queria ter dito e não conseguiu...)
(Eu que nunca fui dado a romances na vida, vi-me arrebatado por Amor nos Tempos do Cólera de Gabriel Garcia Marquez. Foi o primeiro romance que li em angústia e certo frenesi, sentindo-me como um velho conhecido de seus personagens, sofrendo a cada reviravolta, alegrando-me com cada pequeno triunfo. Escrevi esta carta pensando em todas as palavras que Florentino queria ter dito e não conseguiu...)
domingo, 9 de novembro de 2008
Por que não agora?
Por que não agora?
por que depois?
por que a\diar o beijo,
se amanhã nem sei se te vejo?
Não sei o que será de nós.
Por que não dá agora,
se depois, talvez não haja
hora oportuna para nós?
Por que negar a hora
se não sabemos o que virá depois?
Por favor não vá embora,
não agora, fica,
desfruta comigo este momento,
pois amanhã é outro dia
e eu não sei o que há de vir...
Não sei se vai chover,
se o planeta vai explodir,
não sei se a água vai acabar,
ou o dólar vai subir (né que subiu?)
não sei o que esperar do amanhã
sei lá se estarei vivo.
Eu estudo para amanhã
trabalho para amanhã
planejo o que é possível,
e tudo em função do amanhã
que eu apenas desconheço.
Por isso não é demais
pedir pelo agora,
que é tudo que tenho
eu tenho você agora
e amanhã?
independente de poder ou não,
eu te quero, hoje, que tudo posso,
embora, nem tudo que posso
me interesse tanto assim
Amanhã pode ser que não tenhamos tempo
sequer pra pensar na chance que nos escapou
e mesmo assim queres partir...
deixa pelo menos um último beijo...
não de adeus...
mas, de "nos vemos depois"...
por que depois?
por que a\diar o beijo,
se amanhã nem sei se te vejo?
Não sei o que será de nós.
Por que não dá agora,
se depois, talvez não haja
hora oportuna para nós?
Por que negar a hora
se não sabemos o que virá depois?
Por favor não vá embora,
não agora, fica,
desfruta comigo este momento,
pois amanhã é outro dia
e eu não sei o que há de vir...
Não sei se vai chover,
se o planeta vai explodir,
não sei se a água vai acabar,
ou o dólar vai subir (né que subiu?)
não sei o que esperar do amanhã
sei lá se estarei vivo.
Eu estudo para amanhã
trabalho para amanhã
planejo o que é possível,
e tudo em função do amanhã
que eu apenas desconheço.
Por isso não é demais
pedir pelo agora,
que é tudo que tenho
eu tenho você agora
e amanhã?
independente de poder ou não,
eu te quero, hoje, que tudo posso,
embora, nem tudo que posso
me interesse tanto assim
Amanhã pode ser que não tenhamos tempo
sequer pra pensar na chance que nos escapou
e mesmo assim queres partir...
deixa pelo menos um último beijo...
não de adeus...
mas, de "nos vemos depois"...
domingo, 12 de outubro de 2008
Marcha Derradeira

Eu chorei
por muito tempo.
Ninguém chora tanto.
Chorei a ponto
de perder a autoestima.
Chorei de desespero,
desgosto.
Os que me viram, disseram:
- Covarde!
Preferi chorar de ódio
para não matá-los.
Tantas lágrimas que me têm esvaído.
Quanto mais o tempo passa
eu que já havia desistido
inflamo cada vez mais em desejo de lutar.
Que venham os algozes.
Me encontrarão pronto pra luta.
Que usem suas metralhadoras.
Provarão o gosto da lança de Ubirajara.
Lancem suas granadas,
minhas catapultas destruirão o seu exército.
E, se usarem mísseis,
minha palavra os fulminará.
A Montanha

Dura jornada
longa subida
rolam as pedras
nenhuma ainda sobre mim.
Felizmente.
Dos que empreenderam esta jornada
poucos sobraram.
Destes, muitos desistiram.
E, o que era pra ser competição,
tornou-se estupidez.
Findou-se em teimosia.
A teimosia de alguns poucos.
Dos poucos que não foram esmagados
quando as pedras rolaram.
Naquele dia a mistura
de sangue suor e catarro
quase nos fez parar...
Corpos incrustados nas pedras,
ou abaixo delas soterrados.
Não havia mais como voltar:
nossas cordas quebraram.
Subir já não é mais uma opção.
No começo era a única saída.
Agora nem importa mais.
Não é mais pela coragem.
Não é mais pelo orgulho.
Não é por absolutamente nada.
(Minha versão para A Montanha de Roberto Carlos)
terça-feira, 7 de outubro de 2008
O Cara
Ninguém o conhecia. Ele estava em todas, mesmo sabendo disso a multidão, quase que de propósito, o ignorava. Talvez por isso ele fosse conhecido simplesmente por "Cara". Ninguém nunca se preocupou em saber seu nome, gostos, medos ou anseios. Isso o deixava um tanto frustrado. Ele não era um ser individualizado. Era parte da massa.
Como a vida não é estanque, com o passar do tempo, a vida começava a provar sua sabedoria: "De onde menos se espera, é que vem a solução"... Não vinha. Mas aparecia o Cara, fazia uma gambiarra e tudo funcionava no final; "Quem espera sempre alcança"... ledo engano, mas o Cara tava lá pra dar uma mão; "Melhor um amigo na praça que dinheiro no bolso"... papo furado, quase sempre no final se o Cara estivesse passando por perto, ele emprestava o do lanche... e nunca era pago depois.
O Cara começou a cansar daquela sacanagem e resolveu passar uns dias em casa lendo revistas e assistindo tv. Não adiantava esperar: o problema ia continuar sem solução pois o Cara não tinha passado por lá; Saltar, usar vara? inútil... a mãozinha que o Cara dava era a coisa certa nas horas incertas; O dinheirinho do lanche que tava faltando converteu-se em pratos a lavar e barrigas a roncar porque o Cara parou de passear.
Em meio a esse pequeno microcaos o Cara tornou-se uma lenda: era o superamigo, o resolvedor de problemas, o caixa forte da galera. Ele mal tomara conhecimento disso. Quando saiu de seu "auto-exílio" foi vítima súbita de um estrelato às avessas. O Cara tinha virado até uma entrada no Dicionário Popular. Todos queria ser o Cara. Mulheres queria que seus homens fossem o Cara. Se alguém conseguia escrever uma linha no próprio blog sem erros de português ou ortografia, sentia-se o Cara. Uma pena que ninguém continuava interessado em saber quem o Cara era...
Até que um dia um Fulano qualquer movido pela inveja decidiu que o reinado do Cara, mesmo que o próprio nem tivesse a noção de que tinha um reinado, teria que terminar, por isso armou uma cilada pro Cara cair.
Certa vez o Cara, passando aqui pelo Norte foi parar numa cidadezinha do interior do Pará. Lá chegando, resolveu encher a cara pois estava de saco cheio dessa história de Cara. Sentou-se no balcão da espelunca e tomou uma cachaças baratas (afinal, chegar de seja onde você esteja pensando que o Cara é até o interior do Pará, consome sobretudo, além dos pulmões devido a irritante fumaça das queimadas, grana). Ao seu lado sentou-um SF*, chamado João Ninguém. Ambos beberam até o coma alcoólico (coisa de fracassado, nessas hopras me pergunto como o Cara podia ser o Cara).
Tão semelhantes que eram, tá ok... inexpressivos, quando o fulano chegou, tirou no u-ni-du-ni-tê, e acabou levando o Ninguém pra um celeiroe forjou umas fotos que lembravam aquele filme B, deixa ver ser me lembro... A Fazenda Anal, Meu Cavalo Minha Tara, O Burrinho Safadinho ou coisa assim...
Resultado disso? As fotos vazaram internet afora, chagaram nas principais listas de e-mail, apareceu até no fórum da Galera do Fundão (ui!). O Último Segundo mostrou as fotos mais brandas sob o título: "A verdadeira cara do Cara".
De um instante para o outro no norte, onde o cara era amplamente adorado como modelo, criou-se uma ogeriza ao nome termo "Cara". Três dias depois, ao acordar, jogado ainda na mesma posição e no mesmo bar o Cara acorda em meio ao furdunço da "caça ao Cara". Sem entender muita coisa sobre o que o povo tava falando, e com uma imensa vontade de vomitar, é interpelado por um moleque: "Tu que é o Cara?". Puto da vida com tudo aquilo, e segurando pra não soltar um jorro de vômito na cara do inconveniente, ele respondeu: "Meu, sou só um mané de ressaca (blurp!), o Cara só pode ser tu!" o moleque horrorizado responde: "Deus que me livre!!!"
Assim o Cara deixou de vez de ser o Cara, João Ninguém gravou mais alguns filmes e fez fortuna no pornô bizarro, e finalmente as pessoas criaram verganha na cara e passaram a cuidar da própria vida.
Moral: Nunca diga a um nortista que le é o "Cara". Você vai estar sendo profundamente indelicado.
*SF: Sem Futuro
Como a vida não é estanque, com o passar do tempo, a vida começava a provar sua sabedoria: "De onde menos se espera, é que vem a solução"... Não vinha. Mas aparecia o Cara, fazia uma gambiarra e tudo funcionava no final; "Quem espera sempre alcança"... ledo engano, mas o Cara tava lá pra dar uma mão; "Melhor um amigo na praça que dinheiro no bolso"... papo furado, quase sempre no final se o Cara estivesse passando por perto, ele emprestava o do lanche... e nunca era pago depois.
O Cara começou a cansar daquela sacanagem e resolveu passar uns dias em casa lendo revistas e assistindo tv. Não adiantava esperar: o problema ia continuar sem solução pois o Cara não tinha passado por lá; Saltar, usar vara? inútil... a mãozinha que o Cara dava era a coisa certa nas horas incertas; O dinheirinho do lanche que tava faltando converteu-se em pratos a lavar e barrigas a roncar porque o Cara parou de passear.
Em meio a esse pequeno microcaos o Cara tornou-se uma lenda: era o superamigo, o resolvedor de problemas, o caixa forte da galera. Ele mal tomara conhecimento disso. Quando saiu de seu "auto-exílio" foi vítima súbita de um estrelato às avessas. O Cara tinha virado até uma entrada no Dicionário Popular. Todos queria ser o Cara. Mulheres queria que seus homens fossem o Cara. Se alguém conseguia escrever uma linha no próprio blog sem erros de português ou ortografia, sentia-se o Cara. Uma pena que ninguém continuava interessado em saber quem o Cara era...
Até que um dia um Fulano qualquer movido pela inveja decidiu que o reinado do Cara, mesmo que o próprio nem tivesse a noção de que tinha um reinado, teria que terminar, por isso armou uma cilada pro Cara cair.
Certa vez o Cara, passando aqui pelo Norte foi parar numa cidadezinha do interior do Pará. Lá chegando, resolveu encher a cara pois estava de saco cheio dessa história de Cara. Sentou-se no balcão da espelunca e tomou uma cachaças baratas (afinal, chegar de seja onde você esteja pensando que o Cara é até o interior do Pará, consome sobretudo, além dos pulmões devido a irritante fumaça das queimadas, grana). Ao seu lado sentou-um SF*, chamado João Ninguém. Ambos beberam até o coma alcoólico (coisa de fracassado, nessas hopras me pergunto como o Cara podia ser o Cara).
Tão semelhantes que eram, tá ok... inexpressivos, quando o fulano chegou, tirou no u-ni-du-ni-tê, e acabou levando o Ninguém pra um celeiroe forjou umas fotos que lembravam aquele filme B, deixa ver ser me lembro... A Fazenda Anal, Meu Cavalo Minha Tara, O Burrinho Safadinho ou coisa assim...
Resultado disso? As fotos vazaram internet afora, chagaram nas principais listas de e-mail, apareceu até no fórum da Galera do Fundão (ui!). O Último Segundo mostrou as fotos mais brandas sob o título: "A verdadeira cara do Cara".
De um instante para o outro no norte, onde o cara era amplamente adorado como modelo, criou-se uma ogeriza ao nome termo "Cara". Três dias depois, ao acordar, jogado ainda na mesma posição e no mesmo bar o Cara acorda em meio ao furdunço da "caça ao Cara". Sem entender muita coisa sobre o que o povo tava falando, e com uma imensa vontade de vomitar, é interpelado por um moleque: "Tu que é o Cara?". Puto da vida com tudo aquilo, e segurando pra não soltar um jorro de vômito na cara do inconveniente, ele respondeu: "Meu, sou só um mané de ressaca (blurp!), o Cara só pode ser tu!" o moleque horrorizado responde: "Deus que me livre!!!"
Assim o Cara deixou de vez de ser o Cara, João Ninguém gravou mais alguns filmes e fez fortuna no pornô bizarro, e finalmente as pessoas criaram verganha na cara e passaram a cuidar da própria vida.
Moral: Nunca diga a um nortista que le é o "Cara". Você vai estar sendo profundamente indelicado.
*SF: Sem Futuro
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