quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Do Amor e Outros Demônios


Dica rápida de livro imperdível: Do Amor e Outros Demônios, de Gabriel Garcia Marques. Deixe que seu coração ressecado pelas coisas da vida seja esmiuçado e transformado em pó para depois ser soprado pelo arrebatamento de um amor, senão impossível, inviável. Descubra um amor primal, acima da culpa e da vergonha, e deixe-se levar por cada letra.

(Aceitamos propostas para a promoção de seu produto. A promoção ao trabalho do sr. Gabriel Garcia Marques é feita por livre e espontânea vontade).

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Non-sense Mind

Bem, de vez em quando chegamos ao ponto de pensar onde estamos e o que somos, não que percamos tempo de fato com isso. Sai mais fácil e mais barato ignorar a autocrítica. Se posso virar a cara para o miserável interior, posso ignorar para qualquer um. É mais fácil ficar chapado que perguntar a si próprio sobre o que estamos fazendo.


Marilyns que eu adoro, cadaqual por seu "cada qual"


Este fim de semna percebi algumas coisas estranhas em mim: Nunca me vi escutando tanto rock ultimamente, coisas tipo Marilyn Manson, Velvet Revolver, até Green Jellÿ. Mal sinal, sinto necessidade de agressividade. Felizmente a música tem sido um catalizador eficaz até aqui. Também tenho me dedicado a um cancioneiro menos nobre, tipo Falcão (e minha mente doentia ainda enxerga relações de alto nível nisso), outro mal sinal: devo estar extremamente entediado, beirando a depressão, ou isso, ou meus conceitos estão em autodestruição.
Outra coisa que percebi é que tenho torcido cada vez menos pelo mocinho nos enlatados nossos de cada dia. É inaceitável que seja ainda hoje veiculada uma imagem polarizada de heróis ou princípios infalíveis. Recentemente li a sequencia de histórias que formam a saga "Guerra Civil", da Marvel Comics, questionando justamente essa inquestionabilidade. O lado que contém as convicções que aprendemos a chamar de certas é o mesmo que contém as mazelas de afogam nossa iniciativa de reação e busca por transformação.


De que lado você está?

Este não é um post moralizante, longe de mim expô-los à minha moral. Mas, quando você pára e pensa onde está a essência das coisas que estão ao seu redor, você, caso possuidor de alguma consciência, fica estarrecido. Se buscar amparo na religião, há de perceber que um de nossos principais livros sagrados é a tradução de uma tradução de outra tradução que somos intimidados a questionar. Não me preocupo com o mundo inteiro, tenho certeza de que mais de 99% dele não liga a mínima para mim, mas penso nas pessoas que gravitam em meu universo, meus amores, filhos (que graças a Deus ainda não vieram), e demais parentes... Sr. Super-Homem, por favor me empreste a chave da Fortaleza da Solidão por que o negócio aqui está pegando...

sábado, 26 de setembro de 2009

Um Homem de Princípios

Contava-se a história de um homem que prezava seus princípios, e que esse mesmo homem teria caminhado entre nós. (Não, não estou me referindo a Jesus Cristo). Lembro-me ainda de uma de suas frases favoritas: "O princípio é o centro de tudo". Gostava de ouví-lo dizendo isso, na verdade, gostava mesmo da reações esboçadas quando as pessoas o ouviam dizendo isso. Era um misto de crédito e descrença, somado a uma vontade desmentí-lo, mas os ouvintes nunca haviam tomado a iniciativa de sequer questioná-lo quanto a isso.
Isso o incomodava. Ele queria a chance de ser posto à prova, ainda que pelo prazer de repentinamente perceber que poderia estar errado.
Ele era bombardeado diariamente pela máxima de que todos os homens eram mentirosos patéticos, pessoas sem escrúpulos, mas fato de ele não se reconhecer nesse discurso o incomodava fortemente. Não que tivesse vontade ser merecedor da sina prevista a todo homem, mas pelo fato de que esse discursoo colocava irremediavelmente na mesma condição que os demais.
ter princípios, de certa forma, o transformava numa aberração. Era inconcebível para os homens, que dirá para as mulheres, um homem cortês, que estivesse disposto a beijar o clitóris da parceira e não dormisse logo após o sexo, que quisesse assumir responsabilidades, ou mesmo ter uma vida conceitualmente normal.
Estudando este espécimen raro percebi que na verdade, a criatura era inápta à artes da canalhice, não dotado da síndrome da sacanagem adquirida (seria ele um mutante ou coisa assim?), e, por conta disso, não expelia os feromônios da cara de pau, o que o deixava em real desvantagem aos machos normais.
Em minhas entrevistas com o elemento percebi sua frustração interior. Patético. O homem de princípios só era daquele jeito porque não conseguia ser diferente...

Machismo? chauvinismo? Não importa. Essa é apenas a minha versão dos fatos.

Romanus.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Coisas para ignorar

Os protocolos de atendimento de empresas de celular (embora você saiba que cedo ou tarde pode precisar deles);
Pessoas ridículas (é sempre mais proveitoso ignorá-las que confrontá-las, mas use este conselho por conta e risco);
Situações ridículas (desde que o ridículo da situação não esteja centralizado em você mesmo, claro);
Problemas impossíveis de resolver (desde que sejam possíveis de ignorar);
Água de salsicha (desde que você não tenha o mal costume de bebê-la);
As músicas do Djavan (a não ser que você se ache capaz de compreendê-las)
Os conselhos de Caetano (eles quase sempre foram criados para esse fim)
As metáforas do Lula (dispensam ressalvas);
A ausência de dinheiro em sua carteira (afinal, essa é a condição normal da carteira em questão);
Os tapetes puxados no trabalho (sempre tem um fdp pra fazer isso por você);
Hakuna Matata

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Desgosto

Queria sentir mais.
Nada consigo.
não há emoção,
não há dor,
não há medo.
se pudesse choraria,
mas não vejo justiça em derramar lágrimas.

Cansei de paredes e relógios,
dessas máquinas inventadas pra não nos deixar ser felizes,
cansei de "meu" de "seu" de "dele" e "dela".
Não estou num dia bom para possessivos.
Sinto uma necessidade de indefinidos:
preciso de "algum" e "alguma", "que"
preciso de "alguem" ou de "algumas"...
algo para sair deste vicioso pleonasmo
a que me vejo reduzido e oclusivo,
cansado do tratamento ambigüo a que sou submetido.

quanto mais caminho atrás de meus objetivos,
mais eles parecem caminhar adiante.
sinto-me ultrajado,
como quem volta pra casa após ter feito um péssimo negócio.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ode à Fermina Daza

Ó Fermina minha, perdoa, mas sou fraco... devia ter lutado contra o mundo de dificuldades que entre nós se erguia.... mas eu me dobrei às tribulações. E agora que te vejo partir, ó Fermina minha, eu morro por dentro, por que não posso te culpar por agires com bom senso... Eu que te amo ó Fermina, não consigo enxergar em ti defeito enquanto caminhas sobre meu sofrido coração. Apesar de ser homem pra chorar tua partida, não sou capaz de ter por errada por ires de mim, não sou homem pra te pedir pra voltar. Teu sorriso radiante me diz que estás feliz. Arde em meu peito a dor de não ser o autor de teu sorriso... ah, Fermina, que pobre diabo sou, que não sou capaz de dizer que sou melhor para ti, pois talvez nem o seja. Eu me afogo em álcool e lágrimas, como inútil que sou. Enquanto partes radiante, eu fico desolado. Enquanto te vais, eu penso em me destruir, penso nos beijos que jamais serão dados, na vida que jamais será vivida. Eu quero a morte, mas ela me ignora... a vida que me interessa é a teu lado, mas estás a partir, e minha vida vai junto. Ele nem te merece, Fermina. É apenas um homem na hora certa e no lugar certo. Apenas um cara, que não daria por ti a metade do que estou disposto a oferecer... Eu falhei, Fermina, e agora te deixo partir, mas correria meio mundo se soubesse que precisavas de mim, mas sei que jamais me deixarás saber... Eu continuarei aqui Fermina, e não medirei esforços por ti, meu amor, minha vida e meu único bem.


(Eu que nunca fui dado a romances na vida, vi-me arrebatado por Amor nos Tempos do Cólera de Gabriel Garcia Marquez. Foi o primeiro romance que li em angústia e certo frenesi, sentindo-me como um velho conhecido de seus personagens, sofrendo a cada reviravolta, alegrando-me com cada pequeno triunfo. Escrevi esta carta pensando em todas as palavras que Florentino queria ter dito e não conseguiu...)

domingo, 9 de novembro de 2008

Por que não agora?

Por que não agora?
por que depois?
por que a\diar o beijo,
se amanhã nem sei se te vejo?
Não sei o que será de nós.

Por que não dá agora,
se depois, talvez não haja
hora oportuna para nós?

Por que negar a hora
se não sabemos o que virá depois?

Por favor não vá embora,
não agora, fica,
desfruta comigo este momento,
pois amanhã é outro dia
e eu não sei o que há de vir...

Não sei se vai chover,
se o planeta vai explodir,
não sei se a água vai acabar,
ou o dólar vai subir (né que subiu?)
não sei o que esperar do amanhã
sei lá se estarei vivo.

Eu estudo para amanhã
trabalho para amanhã
planejo o que é possível,
e tudo em função do amanhã
que eu apenas desconheço.

Por isso não é demais
pedir pelo agora,
que é tudo que tenho
eu tenho você agora
e amanhã?
independente de poder ou não,
eu te quero, hoje, que tudo posso,
embora, nem tudo que posso
me interesse tanto assim
Amanhã pode ser que não tenhamos tempo
sequer pra pensar na chance que nos escapou

e mesmo assim queres partir...

deixa pelo menos um último beijo...

não de adeus...

mas, de "nos vemos depois"...