quarta-feira, 21 de março de 2012

Vou embora

Cada vez que vou até a varanda desta que até então foi minha casa, mais taxativa grita uma sentença em minha mente: "vou embora..." 
Nada mudou. Nada melhorou ou piorou, mas a iminência de uma grande mudança muda o sabor da vida. Será melhor? Será pior? Será outro dia. Cada vez que tenho de ir embora, mais constante ficam os versos de Nina Persson: 
I can't get close enough 
I never get close 
I can't get close enough 
(a quem interessar possa: http://www.youtube.com/watch?v=R7wZR2ojnIk
Cada vez que vou embora me sinto como essa pessoa que não pode se aproximar demais, pelo menos, não tanto como gostaria.  Mas, a única coisa que realmente importa é que não saio de mãos vazias: saio com um caminhão de boas lembranças, a alegria de boas amizades, e deixo algo de mim. (Pois do contrário de que me valeria lamentar a partida?)


quarta-feira, 14 de março de 2012

Estática pessoal.

São tantas coisas jogadas na mesa:
chaves, para portas que não serão mais abertas,
pedaços de pão que não serão comidos,
papeis, documentos de coisas que não existem mais.
baboseiras que alguém escreveu pra ninguém mais ler...
entre elas, cartas que recebi, que já me fizeram chorar,
mas que hoje eu desprezo descuidadamente,
como coisa que jamais me interessou.

Olho para os livros que devia ter lido,
pesa sobre mim a culpa de negligenciá-los
das coisas que deixei de saber.

O mundo parou sobre esta mesa.
A vida permaneceu impassível.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Conclusão tardia

Preciso de alguém para amar
ainda que seja você
na falta de alguém melhor.

O tempo passou
e cheguei a conclusão de que os poetas estavam errados:
o tempo não cura,
no máximo, cauteriza
e tanto tempo depois,
me vejo aqui no mesmo dilema:
na ausência de lembrança melhor,
me agarro à sua imagem,
pois já não há farol nesse mar revolto.

Duvido que sequer recordes que te amei.
Paciência.
Nem eu me recordava até agora.

Mas, quando parei para avaliar o que me valeu na vida,
percebi que não houve beijo melhor,
que nunca me senti melhor agasalhado por outro abraço,
ou conheci o desejo de forma tão primal.

E agora, diante da hora derradeira,
não há mais ninguém com quem eu queira estar.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A pequena encruzilhada

Há verdades para serem ditas,
normalmente as que não queremos escutar,
mas estamos loucos pra dizer.
Tudo que acharmos que deve haver, haverá:
Sonho, desilusão, traição, verdade e mentira.
Serás meu sonho em dias de paz,
minha tormenta nos dias ruins,
serei teu silêncio, em tua ânsia por solidão,
teu carrasco em tua auto piedade?
Duvido.
No fundo seremos estranhos.
pensaremos estranho, viveremos estranhos.
Partilharemos camas, lençóis,
mas haverá sempre um deslize,
uma falta ou um excesso
que nos levará a questionar a sensatez de estamos juntos.
Estarás pronta para isso?

(a quem interessar que responda...)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pesadelo pessoal

No começo
tudo era sol
vento no rosto
tudo era liberdade
diante dos olhos apenas asfalto e horizonte
havia poucos carros
tudo parecia um convite
um chamado a velocidade
mas mesmo assim nao corria...
Queria olhar a estrada
sentir a brisa
seguir meu caminho
nada mais.
Ao longe havia algo.
Um pouco mais adiante
parecia algo contornavel.
Segui viagem.
O que e contornavel nao nos preocupa.
Mais de perto aquilo parecia um problema.
A dez metros tornou-se um obstaculo
(um daqueles tipo intransponivel).
Quando percebi eram tantas vozes
tantos braços
era puxado forçosamente a consciencia.
Dor. Nao tinha mais estrada.
Vento. Alsfalto.
Havia apenas dor. Desorientaçao.
Depois salas encardidas que deveriam ser brancas.
Dor. Injeçoes. Felizmente nenhuma fratura.
Dependencia fisica, social, medica...
E assim cortaram-me as asas,
jogaram no chao,
depois pisaram-me o pescoço,
humilharam-me exigindo retrataçao...
...
...

domingo, 10 de outubro de 2010

Hedonismo? Sim, por que não uma dose?

Eu te...
Tá bom, talvez eu não te ame de fato,
mas isso não impede que eu te deseje.
E, digo mais, não faz de meu desejo por você menos sincero
(mais intenso, talvez, menos sincero nunca).
E, por mais que você argumente que nunca poderemos fazer amor desse jeito,
pergunto-me se algum dia já tive esta receita,
pois você não é a primeira pessoa que conheço que me indaga por isso...
Quando você me diz que quer fazer amor eu me pergunto:
Amor se faz de barro? se faz de ferro ou argila? de madeira ou bronze?
Sei lá! só sei que seja lá do seja feito não se faz de sexo.
Eu te faria minha deusa, ergueria altares em teu nome.
Te faria minha domina, e atenderia qualquer dos teus caprichos.
Te faria minha musa e sonharia contigo acordado.
Mas, não se faz amor na cama,
a gente faz amor na vida.
*Um toque nas mãos,*
*um abraço furtivo...*
*um beijo na nuca... ....!*
*um bocado de palavras que nem precisam fazer sentido... ...?*
*uma explosão de sensações... :-*
*um pouco de força -pero sin perder la ternura jamás ;-)*

Porque você não vem logo então?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Excedências

Eu não sei mentir:
A mentira é uma arte de profissionais duvidosos altamente gabaritados cênica e cinicamente. Sempre sou descoberto.
Eu não sei viver:
por que não sei nem saberia o que fazer com uma vida perfeita.
Eu não sei amar:
Se não for pra viver por alguém, pra matar por alguém ou ainda pra morrer por alguém, ninguém tem tanta importância assim.
Eu não sei orar:
Eu tenho de cuspir blasfêmias contra meus inimigos, tenho que rastejar humilhado, tenho de chorar descontroladamente em nome da fé, senão, de que adianta tê-la?
...
Eu não passo de um desajustado.